:: PARÁBOLA DO AQUÁRIO
Era uma vez um aquário onde viviam peixes grandes, médios e pequenos. Ali imperava a lei do mais forte. Os alimentos atirados pelo criador eram disputados. Primeiro comiam os maiores.
O que sobrava destes era devorado pelos médios. E o que sobrava dos médios era disputado pelos pequenos. Na falta de alimentos, os grandes devoravam os médios e estes, por sua vez, devoravam os pequenos.
Ora, havia um peixinho muito pequenino, que morava lá no fundo do aquário, onde estava a salvo da fome e da gula dos demais. Ali, naquelas profundezas, poucas vezes caia algum alimento, mas o peixinho ao invés de mal dizer a sorte, enganava a fome distraindo-se a contemplar os desenhos do azulejos, as plantinhas, a areia branca e as pedrinhas brilhantes que enfeitavam o fundo do aquário.
Um belo dia, o peixinho descobriu um ralo por onde saia a água do aquário. Admirado exclamou.
Ué! Então esse aquário não é tudo! Existe outro lugar onde se pode viver! Para onde irá essa água que não para de escorrer? E o peixinho curioso, tentou passar pelo ralo. Como os vãos fossem muito estreitos ele se dispôs a fazer sacrifícios e emagrecer até poder passar para o outro lado.
Foi assim que, dias mais tarde, bem mais magro, e, ainda assim perdendo algumas escamas na travessia, ele conseguiu o seu intento. E foi assim que ele conheceu, pela primeira vez na vida, o que era água corrente. Uma delícia! Uma maravilha! O peixinho ia pulando feliz pelo rego d’água deslumbrado com tudo. E o rego d’água levou o peixinho até uma enxurrada...
Na enxurrada nunca pudera imaginar tanta água junta. Nunca vira crianças nadando. Nunca vira mulheres lavando roupas e cantando. Nunca vira tantas plantas, flores, tanta beleza junta. E julgou que estivesse delirando. Quanta comida, quanta água, quanto lugar para se viver em paz, quanta felicidade para todos! Ah! Aqueles pobres diabos lá no aquário... se vissem tudo isso!... E o riacho levou o peixinho até o rio...
Não! Não é possível! Quanto sol! Isto não existe! Olha quanta água. Parece que não tem fim! Quanta comida? Quanto sol, quanta luz, quanta beleza! E foi assim, extasiado, maravilhado, deslumbrado, quase não acreditou em seus próprios olhos de peixinho, levado pelo grande rio, chegou, enfim, ao mar...
Ali diante daquele infinito de águas, de alimento, de luz, de cores, de plantas, de um mundo de coisas maravilhosas, diante daquela majestade toda, o peixinho chorou. Chorou comovido, agradecido, porque a alegria era tanta que não cabia dentro de si.
E chorou sobretudo, de pena de seus companheiros que haviam ficado lá no aquário, naquelas águas poluídas, escuras, paradas, estagnadas, exprimidos , pensando viver no melhor dos mundos. E o peixinho resolveu, então voltar e contar a boa nova a todos.
E o peixinho voltou . Do mar para o rio. Do rio (com sacrifício, por que agora a viagem era contra a correnteza), ele nadou para o riacho e do riacho para a enxurrada e da enxurrada para o rego d’água e do rego d’água para o fundo do aquário.
E atravessou o ralo de volta ... Desse dia em diante começou a circular no aquário um boato de que havia peixinho contando coisas mirabolantes falando de um lugar muito melhor para viver, um lugar de paz e amor, um lugar de fartura infinita, onde ninguém precisava fazer sacrifícios, nem se devorar uns aos outros.
E todos acorreram ao fundo do aquário, para saber das novidades. Os grandes, os médios, os pequenos, todos queriam saber o que era preciso fazer para chegar a esse mundo maravilhoso.
E o peixinho, mostrando-lhes o ralo, explicou que, para chegar a esse lugar , era preciso algum sacrifício, pois a passagem era, realmente estreita. Segundo o tamanho, uns teriam que sacrificar-se mais, outros menos.
E os peixes pequenos passaram a seguir o peixinho, enquanto os médios e grandes consideravam-no maluco, um visionário. Onde já se viu? Impossível passar por aquele vãozinho tão estreito! Só um louco mesmo.
E a história do peixinho se alastrou. De tal maneira, modificou a vida do aquário e perturbou o sossego dos peixes grandes e médios, que estes acabaram por mandar matar o peixinho para acabar com aquelas besteiras todas.
Mas o peixinho não morreu. Continuou vivendo, pois sua mensagem imortal passava de geração em geração...
Até hoje a história do peixinho é lembrada no aquário. Até há os que crêem e os que não crêem. E até hoje há os maiores que podem passar pelo ralo e os que jamais conseguirão fazê-lo, porque quanto maior e mais poderoso tanto maior o sacrifício exigido!
E você? Faz parte de qual? Peixe maior? Peixe médio? Peixe pequeno?
Cuidado com o ralo meu irmão, vale a pena, ainda, fazer sacrifícios. Faça como o peixinho, procure a água, procure sua liberdade.
:: OS GANSOS SELVAGENS
Quando os gansos selvagens voam em formação "V"
Eles o fazem a uma velocidade 70% maior do que se estivessem sozinhos.
Eles trabalham em Equipe.
Quando o ganso que estiver no ápice do "V" se cansa ele passa para trás da formação e outro se adianta para assumir a ponta.
Eles partilham a Liderança.
Quando algum ganso diminui a velocidade os que vão atrás grasnam encorajando os que estão à frente. Eles são Amigos.
Quando um deles, por doença ou fraqueza, sai de formação outro, no mínimo, se junta a ele, passando a ajudá-lo e protegê-lo.
Eles são Solidários.
Sendo parte de uma equipe nós podemos produzir muito mais e mais rapidamente.
A qualquer instante também podemos estar sendo indicados para liderar o grupo.
Palavras de encorajamento e apoio inspiram e energizam aqueles que estão na linha de frente, ajudando-os a se manter no comando mesmo com as pressões e o cansaço do dia-a-dia.
E, finalmente mostrar compaixão e carinho afetivo por nossos semelhantes é uma virtude que devemos cultivar em nossos corações.
Da próxima vez, ao ver uma formação de gansos voando, lembre-se é uma recompensa, um desafio e um privilégio ser membro da maior e mais importante equipe do Universo, a humanidade.
:: O VASO TRINCADO
Na propriedade de um fazendeiro muito honesto e caridoso, existia um jardim muito lindo. Próximo deste jardim, escondido entre os arbustos se encontrava um vaso trincado.
Certo dia o fazendeiro, vasculhando entre os arbusto, o encontrou e acolhendo-o com muito amor exclamou. “Querido vaso, eu vou precisar de ti!”.
Envergonhado e sem jeito o vaso respondeu. “Senhor, sou um vaso trincado e não sirvo para nada”.
O fazendeiro insistiu. “Meu querido vaso é assim que eu quero precisar de ti. Eu poderia plantar uma flor no jardim e ela cresceria e contemplando-a todos a admirariam. Eu preciso de ti para dentro plantar uma flor e assim poder embelezar outros recintos como salas, e outros ambientes.
O vaso, preso em seu defeito de rachadura, esquecia-se que tinha muitas e boas qualidades. Respondeu então com tristeza e desprezo. “Mas senhor, não irei embelezar; aparecerá logo minha rachadura e tirará toda a beleza da flor”.
O senhor lhe respondeu. “Meu querido vaso, não tenhas medo, deixa-te manipular por mim para onde eu quiser colocar-te e plantarei uma flor dentro de ti de maneira que ela se estenda sobre o teu lado trincado, cobrindo com suas folhas verdes e belas”.
O vaso, cabisbaixo, trêmulo, arriscou-se a pronunciar o seu SIM, dizendo. “Aceito ser usado por ti assim como sou e disponível para o que quiseres de mim, contanto que se “faça a tua vontade”.
Ouvindo isso o fazendeiro com todo carinho tomou o vaso trincado, colocou terra boa no seu interior e plantou uma flor muito linda que se estendeu sobre sua rachadura e cobriu-a com suas folhas verdes e belas...
Colocou-o na portaria de sua casa para que todos os que ali passassem pudessem admirar aquela flor, que, por ser tão linda, trazia presente o poder de seu Criador.
O vaso percebendo que apesar de trincado, fora escolhido para gerar flor dentro de si e exclamou. “Senhor, não deixe jamais morrer dentro de mim essa flor, pois sem ela sou um vaso sem vida, feio e sem graça.
Obrigado porque quiseste precisar de mim assim como sou, para revelar o teu poder e as tuas maravilhas a meus irmãos. Que todos os que se achegarem a mim sintam a tua presença.
Amor é como a flor, fica bem em qualquer lugar.
:: A PARÁBOLA DOS POÇOS
Era o país dos poços. Qualquer visitante que chegasse, enxergaria somente poços, grandes, pequenos, feios, lindos, ricos e pobres...
Os poços falavam entre si, mas à distância, porque havia terra seca entre um poço e outro. Na realidade, quem falava era a boca do poço, ao nível da terra. E como a boca era oca, o poço dava uma sensação de vazio, angústia, criando eco...
Havia poços com bocas muito largas, permitindo receber um monte de coisas inúteis. Quando estas passavam da moda, era só mudar para outras, também inúteis e passageiras... E as bocas continuavam vazias, ressequidas e sedentas, bem como a terra ao seu redor.
E no fundo... o poço não estava contente!
E por falar em fundo, bem a maioria dos poços, entre as frestas deixadas pelas coisas, permitiam de vez em quando, sentir entre os dedos algo diferente: eram os momentos em que percebiam água no fundo. Diante desta sensação tão rara, alguns até tinham medo e procuravam evitar o contato.
Outros, porque tinham coisas demais abarrotando a boca, esqueciam logo a sensação do profundo, e se ocupavam novamente com a superfície...
Mas nesta superfície, às vezes, algum poço falava desta experiência diferente. Até que houve um poço que, olhando bem para os seu interior, entusiasmou-se, e quis continuar.
Como as coisas que abarrotavam a sua boca o incomodassem, procurou libertar-se delas, lançando-as corajosamente para longe.
E o silêncio chegou! E ele começou a ouvir o borbulhar da água lá no fundo, e sentiu uma paz profunda, viva e duradoura... refrescante e salutar.
E este poço descobriu que sua razão de ser era esta, a vida se encontra na profundidade de si mesmo, e não na multidão de coisas que se acumulavam em sua boca.
E se tornava mais poço, quanto mais profundidade tinha.
Feliz com a descoberta, procurou tirar água de seu interior, e a água, ao sair, refrescou a terra seca ao seu redor, e tornou-a fértil e boa, e as flores começaram a brotar.
A notícia se espalhou. E as reações foram diversas, uns se mostraram incrédulos, outros sentiram o impulso pôr também fazer a experiência do profundo de si mesmo.
Mas muitos desprezaram a novidade difícil. Era mais fácil deixar tudo como estava...
Sem dúvida, alguns tentaram fazer a experiência, e começaram a libertar-se dos objetos inúteis que abarrotavam sua boca, e igualmente encontraram água em seu interior.
A partir de então, as surpresas aconteceram, pôr mais água que se retirasse para regar ao redor, o poço não se esvaziava!
E aprofundando mais ainda, descobriam que, eles estavam unidos entre si por algo incomum, a água era a mesma!
E começou uma comunicação profunda, porque as paredes dos poços deixaram de ser limites...
Mas a descoberta mais sensacional veio depois, a agua que lhes dava vida vinha de u mmesmo lugar, o manancial...
O manancial estava bastante longe, na montanha que dominava o país dos poços. Lá estava ela, majestosa, serena, pacífica! E com o segredo da vida em seu interior.
A montanha estava sempre lá. Algumas vezes apenas visáveis entre ao nuvens, outras vezes radiante de esplendor...
O manancial não tinha sido percebido antes, porque os poços se preocupavam somente com a superfície.
A partir da nova descoberta, esforçavam-se por aumentar seu interior, crescendo em profundidade, para que o manancial chegasse mais facilmente...
E a água que tiravam deles tornou a terra bela.
Enquanto isso, os que não faziam a experiência do profundo continuaram a aumentar sua boca, procurando inutilidades...
:: COMO CONSERTAR O MUNDO
O pai estava trabalhando no escritório, na própria residência, e o filhinho, de sete anos, toda hora entrava no escritório para falar ou pedir alguma coisa. Para ocupar o filho por mais tempo e assim poder dar continuidade a seu trabalho, o pai apanhou o mapa-múndi e cortou-o em uma porção de pedaços.
Entregou ao filho, dizendo, Vá à sala ao lado e tente consertar o mundo, encaixando os pedaços para formar o mapa.
Com essa tarefa, um pouco complicada para a tenra idade do filho, o pai pensou que o menino estaria entretido e não incomodaria por um bom tempo. Não se passaram dez minutos e a criança chamou o pai, dizendo:
- Pai o mapa já está consertado!
O pai, estupefato com a rapidez, olhou para o filho espantado. Meu Deus, como você fez tão rápido?
O menino, com toda simplicidade de uma criança , explicou.
No começo, eu tentei consertar o mapa e não consegui, quando virei as peças, vi que no verso tinha a figura de um homem. Então consertei o homem e o mundo ficou perfeito.
É inútil querer consertar o mundo se cada ser humano não modificar seu comportamento para melhor.
:: QUEM É MESMO VOCÊ?
Hoje, Jesus já não recolhe mais maçãs. Ele só pode fazer isso através das mãos dos cristãos. Agora nós somos os braços de Deus
Fim de tarde de uma sexta-feira quente e cansativa. Um grupo de empresários aguardava a hora do embarque. Senhores passageiros, informa o serviço de comunicação do aeroporto, o embarque se dará através de outro portão. Todos eles, arrastando malas e carregando a bagagem de mão saem correndo em direção ao local do embarque. Alguém acabou tropeçando num carrinho de uma vendedora e as maçãs se espalham pelo corredor. Todos tinham pressa, pois desejavam passar o fim de semana com a família. Quem causou o incidente nem sequer olhou para trás.
Mas, um deles, já na sala de embarque, tomou o celular e informou à esposa que retornaria num vôo mais tarde, pois importante compromisso o retivera no aeroporto. Retornou ao local, ainda coalhado de maçãs, algumas delas machucadas e impróprias para o consumo. A vendedora chorava sozinha sua mágoa e sua perda. Era pessoa portadora de deficiência visual e nem sequer poderia recolher as maçãs. Isso foi feito pelo passageiro.
No final, calculou os estragos e deu à moça uma nota de 100 reais e pediu desculpas pelo incidente. Em seguida tentou encontrar o portão do embarque. A vendedora, que até aquele momento nada dissera, chamou o seu benfeitor e quis saber: por favor, qual é mesmo o seu nome, você é Jesus?
Na realidade, Jesus, hoje, não pode mais recolher maçãs. Ele só pode fazer isso através das mãos dos cristãos. Ele fez o que lhe competia, agora nós somos os braços de Deus, atuando na história. Ele precisa de nossos braços, de nossos pés, de nosso tempo, de nossas palavras, de nossa ternura, para salvar o mundo.
Por vezes rotulamos o tempo da Quaresma como tempo de penitência, de jejum, de abstinência de carne. Tudo isso pode acontecer. É bom que aconteça. Jejuar um pouco, comer menos, são atitudes que fazem bem ao corpo e à alma. Mas não são essas atitudes que marcam a Quaresma. O importante é a conversão em seu significado pleno. Isso significa abraçar o projeto de Jesus e nesse projeto o amor é o centro, a palavra-chave.
E na Quaresma de 2006, o alvo é a pessoa portadora de deficiência, porque mais precisa e, porque precisa, tem direito. A ordem de Jesus: "levanta-te e vem para o meio" (Mc 3,3) precisa sensibilizar toda a comunidade. Piedosos sentimentos e desculpas nada servem. Entre os passageiros da sexta-feira no aeroporto, muitos tinham bons sentimentos, outros - quem sabe - lamentaram: coitada da vendedora, infelizmente o avião vai partir dentro de minutos... Mas um só - versão moderna do Bom Samaritano do Evangelho - socorreu a vítima.
Nossa pregação não pode apenas falar de Jesus, que viveu há dois mil anos. Nosso interlocutor quer saber se o nosso nome é mesmo Jesus. Quer saber se os traços do Filho de Deus estão presentes em nossa vida. São esses traços que, um dia, garantirão nossa salvação. Ele nos dirá: eu fui pessoa portadora de deficiência e você me socorreu. Você recolheu as maçãs caídas.
Autor: Fr. Aldo Colombo - capuchinho
:: CF 2006: PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
O tema da Campanha da Fraternidade (CF) de 2006 é “fraternidade e pessoas com deficiência” e o lema, “levanta-te, vem para o meio” (Mc 3,3). O Texto-Base, principal instrumento de promoção da CF, está à disposição de todos. Foi elaborado sob a responsabilidade da Secretaria da CF, da CNBB, com a colaboração de grupos organizados de pessoas com deficiência, de entidades da sociedade que apóiam essas pessoas, por peritos da área e pedagogos.
Seguindo a conhecida metodologia do VER-JULGAR-AGIR, o Texto-Base aborda primeiramente a realidade social e a problemática enfrentada pelas pessoas com deficiência, bem como a história de suas lutas e conquistas. No momento do JULGAR aparece uma fundamentação bíblico-teológica para a dignidade e os direitos das pessoas com deficiência. Ao mesmo tempo, à luz dos princípios evangélicos e éticos, são analisadas criticamente diversas atitudes pouco fraternas em relação às pessoas com deficiência e soluções inadequadas para a sua problemática.
Na terceira parte, que é o AGIR, apontam-se diversas pistas para a maior inclusão social e religiosa das pessoas com deficiência; as ações sugeridas envolvem a denúncia de situações discriminatórias e de exclusão; tratam da ação da família, da prevenção das várias formas de deficiência e da promoção de atitudes fraternas. O Texto também traz a oração e o hino da CF, além de um nutrido Apêndice com vários anexos interessantes para a CF, que vão desde a relação das leis e decretos relativos ao mundo da deficiência até um glossário com termos e conceitos usados para referir-se a ele. O Texto conclui com um capítulo de orientações para a organização e a celebração da Campanha.
A CF de 2006 traz ao centro de nossa atenção as pessoas com deficiência, que são freqüentemente vítimas de preconceitos e discriminação, sobretudo numa tendência cultural que privilegia os fortes e saudáveis, os belos e fisicamente perfeitos, enquanto marginaliza e até exclui os que têm menos capacidade de se afirmar sozinhos e de competir com os outros.
As “deficiências” podem ser de três tipos: física, sensorial e cerebral. Pessoas com deficiência são tantas: cegas, surdas, mudas, as que têm algum tipo dificuldade motora ou deficiência mental... Em maior ou menor grau, os vários tipos de deficiência atingem boa parte da população. E, ao longo da vida, todos estão sujeitos a adquirir algum tipo de deficiência. Por isso, o tema da CF é de grande interesse social.
O lema - “levanta-te, vem para o meio” (Mc 3,3) - é da passagem do Evangelho de Marcos, em que Jesus cura um homem com a mão atrofiada. Tudo leva a pensar que aquele pobre homem era desprezado e deixado lá num canto por causa da sua deficiência. Talvez lhe fosse até atribuído o estigma de ser um pecador e castigado por Deus, por causa do seu estado. Era o dia sagrado de sábado, no qual não se podia fazer nenhum trabalho, nem mesmo curar doentes. Jesus chamou esse homem: “levanta-te, vem para o meio!” E o curou, na frente de todos.
A palavra e a atitude de Jesus ensinam muita coisa: são um convite para que aquela pessoa com deficiência tenha coragem e não se resigne a ficar no seu cantinho; que ocupe seu espaço e assuma sua dignidade. Jesus não a deixa sozinho com o seu problema, mas lhe estende a mão e a ajuda. E a todos os presentes, dá a entender que aquela pessoa não podia ser desprezada e abandonada a si mesma. A palavra e a atitude de Jesus desafiam os saudáveis, os fortes e fisicamente “perfeitos” a superarem qualquer preconceito e discriminação em relação às pessoas com deficiência e a fazerem a sua parte para acolhê-las, valorizar e promover a dignidade delas.
A CF é um grande momento para a evangelização e seu objetivo é promover atitudes de verdadeira fraternidade e a verdadeira cultura da solidariedade social, coerentes com o ensinamento do Evangelho de Jesus. A CF-2006 é ocasião para uma grande tomada de consciência sobre as condições geralmente difíceis das pessoas com deficiência e para desencadear muitas iniciativas de efetiva inclusão delas. O Texto-Base apresenta-se como um excelente instrumento para isso.
Autor: Dom Odilo Pedro Scherer - sec CNBB
:: olhar sobre a vida05: OS ESPINHOS
Houve um período da Era Glacial em que muitos animais morriam por causa do intenso frio. Os porcos-espinhos, percebendo tal situação, resolveram se juntar em grupos. Assim se protegiam e se aqueciam mutuamente. Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam mais calor. Então se afastaram uns dos outros e com isso morriam congelados.
Viram que era urgente fazer uma escolha: desapareceriam da face da terra morrendo todos congelados ou aceitariam os ferimentos dos espinhos de seus companheiros próximos.
Com sabedoria, decidiram novamente a ficarem juntos.
Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que uma relação mais próxima poderia causar. O mais importante era a troca de calor.
Sobreviveram.
Trabalhando em equipe aprende-se que cada qual deve aceitar os defeitos de outros, da mesma forma assim cada qual recebe perdão dos próprios defeitos.
PARA TRABALHAR ESTA MENSAGEM COM GRUPOS:
PONTOS POSITIVOS
1. Significado de tomar decisões inteligentes...
2. Significado de troca de calor...
3. Busca de alternativas para sobrevivência...
PONTOS NEGATIVOS
- Espinhos que ferem e afastam... e conseqüente morte...
PRÁTICAS
1. Significado de espinhos...
2. Significado de ferir e ser ferido...
3. Como conviver com os espinhos alheios?
4. Refletir: o perdão dado... o perdão recebido...
:: olhar sobre a vida04: A COMPETIÇÃO
Há alguns anos nas Olimpíadas Especiais de Seattle (USA), nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal dado todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de cada um dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.
Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro, diminuíram o passo e olharam para trás. Então viram e voltaram.
Uma menina com Síndrome de Down se aproximou, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:
- Pronto, agora vai sarar!
Todos os nove competidores deram-se as mãos e abraçados um ao outro caminharam juntos até a linha de chegada.
Os torcedores do estádio inteiro levantaram-se e os aplausos duraram muitos minutos...
Talvez os atletas fossem deficientes mentais, mas, com certeza, não eram deficientes espirituais.
Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é conseqüência.
Você demonstra humanidade, solidariedade, quando é capaz de se compadecer por quem sofre.
PARA TRABALHAR ESTA MENSAGEM COM GRUPOS:
PONTOS POSITIVOS
1. É bom competir...
2. É bom ganhar...
3. É bom dar o melhor de si...
4. Mesmo com limitações a vontade de viver... competir...
PONTOS NEGATIVOS
- Tropeçar de um competidor pode atrapalhar a corrida...
PRÁTICAS
1. Perguntar se é bom ganhar?
2. Por que competir? Simplesmente por prazer ou possibilidade de ganhar?
3. O que é competir?
4. Refletir o significado de: “o sucesso é conseqüência”... “a maior vitória é ser capaz de vencer a si mesmo”...
:: olhar sobre a vida03: O SENTIDO DA RIQUEZA
Um pai, um dia levou seu filho pequeno a viajar pelo interior. Queria mostrar-lhe o quanto as pessoas podem ser pobres. O objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais que possuía, o status, o prestígio social...
Passaram um dia e uma noite numa pequena casa de pedras de um morador de uma fazenda.
Quando retornaram da viagem o pai perguntou:
- Filho, o que achou da viagem?
- Muito boa, papai.
- Você viu a diferença entre viver com riqueza e viver na pobreza?
- Sim.
- E o que aprendeu?
Resposta do filho:
- Vi que nós temos um cachorro em casa; eles lá têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas; eles têm as estrelas e a lua. Nosso quintal vai até o portão de entrada; eles têm uma floresta inteira.
O pai ficou perplexo.
O filho ainda acrescentou:
- Obrigado papai, por me mostrar quão pobres nós somos!
PARA TRABALHAR ESTA MENSAGEM COM GRUPOS:
PONTOS POSITIVOS
1. O menino vive na riqueza, portanto vive bem...
2. Preocupação do pai: que o filho valorize as coisas...
3. Abertura do menino em conhecer outras realidades.
PONTOS NEGATIVOS
1. A riqueza sozinha traz felicidade?
2. Preocupação exagerada do pai com os bens materiais...
PRÁTICAS
1. O que é ser rico?
2. O que é ser pobre?
3. Atitude de supervalorizar os bens materiais está correta?
4. Existem pessoas muito pobres mas extremamente felizes e pessoas muito ricas mas extremamente infelizes?